Vamos ao “meio” para depois ir ao “principio”...
Há pouco mais de dois anos minha filha me apresentou o “orkut”, e mesmo com a sensação de “chegar atrasada na festa”, adorei a possibilidade de rever, e conhecer pessoas, debater em comunidades, e claros fuxicar a vida alheia. (risos)
No começo desde ano, devido a criação desses “blog”, e a falta de tempo, mais o agravante da “internet” discada, eu estava “quase” parando de utilizá-lo... Porém por carinho aos amigos, e familiares e na esperança de reencontrar mais alguém, não tive coragem de “deletar” minha página, e adiei por mais um pouco, o “término” de algo que me proporcionou momentos legais, entre eles:
#Conversar com a família, que está longe sem gastar DDD;
#Participar a distancia dos preparativos do casamento da querida Nanda;
#Reencontrar amizades perdidas;
#Ler “scraps” carinhosos do marido; (sim, ele é chato, mas é romântico)
#Conhecer comunidades que me fizeram rir muito;
#Encontrar dois ex-namorados, perdidos nesses pagos; (risos)
#Rever ex-chefes, ex-colegas, ex-vizinhos;
#Localizar primos, tios, tias e avó paterna, do qual não tinha noticias há muito tempo;
#Fazer novas amizades e dentre elas garimpar dois, ou três que realmente vele a pena;
#Ter conhecido Rene Hass; que era amigo virtual e se tornou especial;
Enfim, muitas coisas boas, que só acrescentaram à vida pasmaceira que levo. (risos) Porém o mais surpreendente, aconteceu neste sábado, 23/08/08, as 22:31h.
Esperando a final do vôlei de praia masculina, sem nada interessante para fazer, sentei na frente do computador e pensei:
-Deixa-me ver a quanta anda meu orkut!
Marido vendo TV perto de mim, filha deitada ao lado do pai, filho pirulitando pela casa... Lá estávamos na expectativa de mais duas medalhas para Brasil, unidos num só coração no quarto/escritório/oficina/bagunça do marido. (conhecido como quarto do pânico)
Antes de ir para página de recados, verifiquei os pedidos de “Me add ai”; fiquei muito feliz de ver minha amiga Gleice de volta, adicionei dois conhecidos, deletei três não conhecidos, e dei risada ao ver que “novamente” um amigo, trocando de perfil “de novo”. Com um olho na tv, e outro no Lucas, e os dois na tela do computador, vi uma foto de um rapaz segurando um chimarrão sentado a beira da praia, com um nome familiar...Logo abaixo a seguinte frase:
-Será vc? Finalmente acho que te encontrei... Bjs!
Quase me estatelei da cadeira... Numa fração de segundo, tipo “Michael Phelps”, minha vida mudou, passou um filme na minha cabeça, como diria o Faustão. (risos)
A frente dos meus olhos, estava o pedido de alguém que faz parte da minha história, mas que por motivos alheios aos nossos desejos, não nos foi permitido um convívio... Diante de mim, estava meu irmão, por parte de pai!
Eu sabia que depois do simples ato do click, eu não seria a mesma Andréa que sentara naquela cadeira para passar o tempo... Eu, que sempre fui filha única, tinha na ponta do meu dedo o poder de deletá-lo, ou aceitá-lo, não em minha lista de meus amigos, mas sim na minha vida.
Naquele momento, decidi que não seria mais a “única”, nem a “só”, nem uma “lembrança” passada...Talvez eu me decepcione, talvez eu ganhe um presente divino, talvez minha vida seja mais divertida, talvez eu afaste mais de mim, quem eu desejei ter perto, mas com uma outra essência...Muitas dúvidas, e apenas um aperto de botão.
Respirei fundo, e agi na impulsividade, ficando na expectativa e ansiedade de ler o perfil, de ver as fotos, e principalmente ter a resposta da minha resposta:
-Serei, eu? Acho que sim, eim?!
Procurei traços, olhei cada detalhe, cada ambiente e ao vê-lo abraçado com sua mãe, mas nenhuma dúvida pairou no ar... Era ele, 26 anos depois.
-Mas como assim, vc tem um irmão, e nunca o procurou? Perguntam todos os que não sabem da história...
-Puxa, finalmente aconteceu! Admiram outros que a conhecem...
Agora para entender, voltemos ao principio:
Meus pais foram casados por 12 anos, como já escrevi aqui, foram muitas idas e vindas do Sul ao Sudeste, e vice versa.
Eu morava em Porto Alegre, e estava de férias em Santo André, na casa da tia Nilza, arrumando a sala para receber meus convidados para meu 12º. Aniversário, e em especial abraçar meu pai, pois afinal aquele ano tinha sido de muita saudade e adaptação, desde que o vi saindo de casa com “seu violão”.
Havia seis meses que eu não o via, mas aquele 19 de Dezembro calorento, tinha algo a mais para me surpreender.
Quando meu pai chegou, fui correndo no portão recebe-lo, vi no banco de trás um buquê de flores, pensei... “Nossa estou ficando mocinha, vou ganhar flores”. (risos) Depois do abraço e dos beijos, ele me disse com um sorriso enorme (marca da família) que era para eu ir com ele, ver meu presente...”Puxa, além das flores tem mais”...pensei eu na santa inocência...Não me importei de deixar meu bolo, meus “negrinhos” (brigadeiro) e meus primos lá na mesa, afinal pensei que logo voltaria, depois de escolher meu presente na loja...Um “Genius” da estrela, ou bicicleta, um par de patins...Eu tinha tanta opções, que não era por falta delas que atrasaria meu pai, que estava com pressa e cochichando algo para minha mãe.
No carro, fiquei ansiosa com a expectativa de chegar logo no “tal lugar” que estava meu presente; e apreensiva por não receber logo as flores que estava no banco de trás... Atravessamos a cidade, quando finalmente paramos em frente a um hospital.
-Que isso pai, vc tá passando mal?!
Não “filhota” , ai está seu presente...Seu irmãozinho nasceu! Pega as flores e entrega para mãe dele... Que está lá em cima te esperando.
Cada passo que eu dava em direção a entrada daquele hospital, me fazia querer voltar correndo para minha casa...Tentando organizar meus pensamentos, cheguei imaginar uma sala cheia de balões, faixas, bolos, presentes, e pessoas me esperando para cantar...É pique, é pique, é pike!
No corredor ele rindo, disse para mim:
-Eu sou bom né filha!?...Dois filhos de mulheres diferentes, nascidos no mesmo dia..Isso que é pontaria – ehehehe. Meu Deus, o que viria a partir dali... Pensei com um sorriso amarelo escondida atrás das flores.
Entrei, cumprimentei umas quatro pessoas que eu não conhecia, dei os parabéns a mãe do meu irmã. Quando finalmente chegou um embrulhinho, moreninho, e cabeludo...
-Olha o Marcello chegou! Alguém exclamou...
Marcelo??!!!, ai meu Deus de novo...Eu escuto esse nome desde que me batizei...Pois meu pai queria um filho homem, e minha mãe também, só que ela estava tomando coragem (ela tem esse defeito até hoje “pensa muito” para decidir algo) Mas “voilá” ali estava ele, meu irmãozinho, porém filho de outra mãe.
Férias vai, Andréa vem, eu mudo de cidade, e eles também; dois aniversários divididos com o “maninho” que vivia sorrindo, (marca de família) e infelizmente alguns anos depois, (dois, eu acho) a notícia de mais uma separação. Senti que o tempo foi curto de convivência com esse “gurizinho gordinho”... Apenas alguns dias, duas vezes ao ano.
O tempo passou, e minha relação com meu pai ficou complicada, difícil mesmo... (Até hoje). Ele optou, e eu acatei, seguimos nossas vidas por caminhos isolados, ele lá e eu aqui... Mas nessa relação tão delicada, eu havia esquecido (amortecido) que aquele “menininho” serelepe estava por ai, nesse mundão de Deus...Com meu sangue, com minha genética, com alguma coisa minha...Não sabia se ele “sabia” de mim, procurei aonde poderia procurar, e não o encontrei, a quem eu perguntei também nada sabia, também não sei dizer, se realmente eu queria achar, pois tudo que se liga ao meu pai, (ao nosso pai) , é muito traumático, pois crio uma expectativa que por muitas vezes já foram destruídas. E coisas que são ruins para mim, eu passo longe.
Eu sabia que esse dia não iria tardar, sabia que encontraria meu irmão, só não sei o que vai acontecer daqui pra frente...Dá para imaginar a minha aflição? Euzinha, que sou “pouco ansiosa”, festeira, faladeira, e curiosa...Tô louca pra dizer: Vem cá, senta aqui do meu ladinho, porque eu quero saber de você...
Pouquíssimo sei sobre meu “novo e único irmão” ( que eu saiba) ...Eu não sei o que ele faz, eu não sei do que ele gosta, do que não gosta...Eu não sei se é alto, se é bom leitor, se é bem falador, se é alérgico, se namora, se trabalha, se gosta de cebola, se estuda, se é canhoto ou destro, se é católico,se fala com meu pai (nosso!, falata de costume) se sabe nadar, se gosta de matemática, se tem mais irmãos, se gosta de música, se toca algum instrumento, se adora escrever, se gosta de axé (arrgh), ou de rock, se tem pircing, tatuagem, se pensava em mim, ou imaginava que tinha sobrinhos, se usa óculos de grau, se faz esportes, se tem preguiça...Se não tem problema de ter uma irmã “fofinha”. (risos) E principalmente se está sentindo o mesmo que eu...
Uma “coisa louca”, “deliciosamente estranha”, mas que desde sábado, me faz “sentir saudades” de alguém que eu nunca abracei...

Fala sério, essa minha vida não é uma novela mexicana! A Central Globo de Produções que se cuide!
Os irmãos “Lobos” estão no ar..............Ahúúúúúú.
Ps: *Ah e se principalmente tem bom humor, porque de homem chato na minha vida, já basta meu marido!
Beijos.














Besitos!
Colocaram no palco um monte de mulheres siliconizada que somando as próteses dava o total implantado na 
